Crônica 02…

22 abr

Ela estava alí, parada em sua frente intercalando o olhar entre seus olhos e os lados, demonstrando sua aparente timidez. Ele ficou parado por quase um minuto até que resolveu dizer alguma coisa.

-Oi!!

-Oi.

-Nossa que pontual, não esperava que chegasse tão cedo.

-Cedo? Marcamos as 20h não foi, então são 20h e aqui estou. Disse soltando um pequeno riso, não um riso de deboche, mas que demonstrava a graça que achou na surpresa do rapaz. Aproximou-se dele e deu-lhe um beijo no rosto.

-Tudo bem contigo? – Ele ainda imóvel, sem saber o que falar ficou calado por um instante viajando dentro do seu pensamento. “Será que isso realmente seria real”

-Tu..do bem e com você? É marcamos as 20h mesmo. – Ele sorriu embaraçado, percebendo que estava fazendo papel de besta. Faltava algum tempo para que o filme que haviam combinado assistir começasse, então resolveram sentar em uma lanchonete próxima ao cinema e tomar alguma coisa.

Ele pediu um suco de abacaxi, apesar de estar sedento por uma cerveja, não quis causar uma má impressão logo de cara, sabia que isso provavelmente aconteceria posteriormente. Ela ao contrário do que ele imaginava, pediu uma cerveja, o que fez com que ele se sentisse meio idiota, porém muito mais relaxado, o fato dela beber cerveja desfazia um pouco o tom de “menina certinha” com que ele olhava para ela.

Aos poucos as conversas foram fluindo, ela observou a camiseta que ele estava vestindo e o convidou para se aproximar e ouvir o que ela estava escutando em seu fone, ele chegou perto e sentiu o cheiro de seu perfume que lhe fez sentir novamente aquele arrepio nos pelos do braço.

-E então?

-Então o que?

-Não ouviu qual canção estava tocando?

-Ahh sim, gosto muito dessa. – O fato é que apesar de ser uma canção de sua banda favorita, aquele aroma que vinha do pescoço dela o fez esquecer completamente do que lhe havia feito aproximar dela. Sentiu vontade de lhe tocar os lábios, e quando resolveu que tomaria tal atitude.

-Ihhh!!! Passaram-se quase dez minutos do início do filme, acho que perderemos mais pelo menos cinco minutos até entrarmos. – Eles haviam se entretido com a conversa e nem se deram conta do horário, por fim decidiram ficar ali e conversar mais.

Depois de um tempo, e algumas cervejas depois ela levantou-se e disse que precisava ir, ele levantou-se em seguida, mas não quis insistir pra que ela ficasse. A garota se aproximou dele lhe deu um beijo no canto esquerdo da boca.

-Nos vemos outro dia. Pode ser?? – Afastando-se alguns passos e olhando pra trás em seguida.

-Claro. Disse ele sem tirar os olhos dela…

 

Continua

Crônica 01…

21 abr

Já era noite quando ele saiu de casa meio apressado e suando frio. Vestia uma calça jeans escura, e uma camiseta cinza da sua banda preferida, suas meias eram uma de cada cor afinal, ninguém as veria por debaixo da calça e do tênis, uma imitação de All Star Converse, que não perdia em nada para o original no estilo das estampas.

O vento batia em sua direção, arrepiando os poucos pelos dos seus braços, e mexendo de certa forma com seus cabelos longos e castanhos. Ele suava frio, poucas vezes em sua vida sentira tal sensação, o que o assustava e ao mesmo tempo o deixava empolgado. Pensava muito no que havia acontecido, e quais as chances de ter uma nova oportunidade enquanto contava os próprios passos.

Em pensar que havia enviado aquele SMS apenas como uma tentativa sem esperanças de poder levar aquela garota ao cinema. Nem sequer acreditou quando obteve uma resposta positiva. Ele possuía feições admiráveis que haviam arrancado vários suspiros das garotas da vizinhança onde morava, seus olhos verdes combinados com um rosto magro e a barba serrada, qualidades que eram até mesmo invejáveis os rapazes

Apesar de possuir uma autoestima elevada, pela primeira vez sentia-se inseguro, e não sabia o que falar. Como alguém que nunca havia lhe dirigido mais que um simples oi tinha um poder tão grande sobre o seu comportamento. Claro que aqueles longos cachos da mesma cor dos cabelos dele, e o corpo bem definido comparado ao de uma estátua barroca em tamanha perfeição já haviam derrubado o queixo de muitos homens, combinados a eles, lindos olhos azuis e um jeito de menina meiga e tímida. Sem se dar conta já havia passado alguns passos do lugar combinado, e ainda faltavam alguns minutos para a hora que haviam marcado chegar.

Observou a lua que aos poucos ia se escondendo por entre nuvens, tirou o celular do bolso, mas o mesmo ficou sem bateria no caminho sem que ele percebesse. “E se ela tivesse desmarcado”, “ e se fosse apenas uma brincadeira de mal gosto” pensou ele, mas ao se virar para o outro lado da rua, lá vinha ela. Ela tinha a mesma altura que ele, vestia uma blusinha floral sobreposta de um bolero feito artesanalmente, provavelmente por sua mãe, ou sua avó, uma calça jeans azul mais clara que a dele, vinha olhando para baixo e suas bochechas estavam levemente rosadas… Continua

titulos…

6 nov

Me perco em lábios

Que nem sei se verei novamente

Fecho meus olhos como se aquilo

Não precise acabar

Eu sou ator, eu sou amor, eu sou a dor

Certo de que eu nem sempre sou sensato

Enquanto eu escrevo, me mato

Sei bem que meus versos são

Como o dedo na goela,

Como o cair de uma moeda

Para dentro do ralo,

A cabeça com mil perguntas

E eu simplesmente me calo

A garganta  aperta

E cada minuto que passa

A areia da minha velha ampulheta

Perde-se no vazio.

Um dia frio,  um dia curto

Noites vazias

 

Tempos e Ventos, (onde está o poeta?)

5 nov

Onde está o poeta?

Ouvi dizer que ele se calou,

Que ele se cansou…

Outros dizem que fugiu para as colinas.

Dizem que sua última poesia,

Ainda foi sobre amor.

O poeta está feliz diz uma voz na multidão.

Se foi com seu amor.

Bobagem pensei eu,

Talvez esteja em um bar qualquer

Tomando seu trago,

Talvez a tinta de sua caneta tenha secado

Onde estão os versos?

Pode ser que seu relógio tenha quebrado,

E seu tempo acabado.

Onde o poeta pode estar,

Dizem que ele não tem mais coração,

 Foi viver como mortais,

Talvez tenha se perdido.

Não encontrou o caminho de volta,

Pois talvez não tenham restado migalhas

E tudo o que ele fez foi esperar

Pela próxima estação,

Por alguém que vai passar,

Ou que já tenha passado,

Alguém que encontre o seu relógio…

Sina do Poeta…

20 ago

Mas quando resta mais um copo

É tudo mais fácil

O poeta se calou,

Apenas no instante do gole

No instante do pensamento indireto

Como sempre tão discreto

Ele se perdeu,

Ele te perdeu

Ou já havia perdido

Como um coração partido

Como um pênalti perdido

Ele se conformou

Vendo que de nada adiantava

E que não pensava

Em se machucar.

O poeta

Nem sempre foi cauteloso

mas aprendendo e falando

ele soube o que fez

juntou todos os traços de tristeza

e como sempre

rimou outra vez

seu ego já não existe,

apesar de tantas vezes

tentarem lhe convencer

de que esta tudo bem

que ele sabe o que faz

ele já aprendeu ser errado

e aprendeu a não se machucar,

ou ao menos achar

que não se machucou

 

Ampulheta Quebrada…

27 jul

Um passo, um olhar

Tudo me dizia que não

Meu coração saltado pela boca

Me dizia que sim.

Felizmente, há algum tempo

Aprendi a não escutá-lo sempre

Quase volto algumas páginas

E não sei se seria o sensato a se fazer

Talvez tenha acertado,

talvez tenha sido um erro

E nem sei ainda se o erro foi meu,

Se fosse um beijo,

Quem sabe hoje o que seria de mim?

Se fosse  um desprezo,

Quem sabe o que seria de nós?

Talvez as coisas somente sejam

Como elas são

Talvez não aja nada

Que a gente possa fazer

Faço-me forte

Como sempre tentei

Hoje, bem mais do que eu já fui

Mas ainda não descobri

Se ser forte é bom ou ruim

Semente 2 (razão do existir)

25 jul

Uma luz que eu temia nunca alcançar
Veio até mim na forma de um susto
Agora tudo muda
Como não mudaria

 Minha muda, muda minha
Amor incondicional
Me ensinou mais sobre mim
Do que eu jamais descobri
Seus traços
Tão semelhantes aos traços meus
E sua mão agarrada ao meu dedo
Fez pela primeira vez,
Meu coração bater com algum sentido
E o meu eu desajeitado
Contigo nos meus braços
Me fez temer por alguns minutos
Sigo o mesmo, mesmo tendo mudado
E não mais a esmo
Sigo agora
Com um motivo pra abrir os olhos e sorrir
Todos os dias, pelo resto do meu existir

Laisa Gabriella