Arquivo | abril, 2012

Fora do Ninho, Mas no Seu Caminho…

28 abr

Nuvens vinham entre névoas

E a cada segundo uma ansiedade

Tomava conta do seu ser

Trazia em sua mala

Um passado que devia ter

Deixado de lado,

Algumas canções

Que ele mesmo escreveu,

Meias sujas e um pouco de uísque

Em seu cantil

Ao seu lado,

Palavras que ele não podia ouvir

E que tão pouco importavam

A escuridão à beira da estrada

Impedia que ele visse o que se passava

Ligou o rádio, e nele tocava

Uma velha canção

Que falava de solidão

Sentiu paz,

Mas achou estranho

Desejar aquilo que ele

Sequer tenha chegado perto

Ao amanhecer estaria em seu lugar

O mesmo lugar que ele havia abandonado

Mas que se sentia melhor do que qualquer um

Ao voltar e olhar as fotos da estante

Parou por um instante,

Sentiu-se livre,

E soube que ali já não era o seu lugar

Mas continuou a apreciar

A melhor companhia

que ainda podia ter…

 

 

 

 

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Versos Flutuantes de uma Alameda qualquer…

16 abr

Perdi o jogo, a alma e a calma

Lavo meu rosto, calma

Acabou a água…

E na minha cabeça

O mundo gira mais do que devia.

Dias como esses me fazem querer falar

Mas o melhor a se fazer é calar.

O futuro?

Dele nada espero

Vivo hoje, pois é o que me resta.

Fazendo a tristeza e a alegria

De quem me detesta.

Sigo sozinho

Até que alguém me acompanhe

Não tenho pressa,

Passo a passo

Admiro as coisas que eu vejo pelo caminho

O meu caminho

Por onde talvez ninguém saiba andar.

Por onde talvez

Ninguém mais suportaria passar

Sigo a esmo, nem sempre o mesmo.

Mesmo que pareça

Mas são apenas coisas da cabeça

Meu mundo também está

Sempre em transformação

Caco de Vidro…

16 abr

Pé sob pé

Palavra sob palavra.

Um Mar de rosas

Vira um mar de água fria

E os olhos querem o que não se pode ter

O que jamais chegaram a ver.

E o que se está quase em paz

Volta a ser somente solidão

Talvez seja verdade que bons meninos

Não existam,

E que o que eu pensava ser

É apenas cópia do que me

Disseram que eu devia.

Meu céu é sempre estrelado

Mas de que adianta?

Os dias e as noites

Não parecem nada bons

E meus olhos cegos

De um poeta louco

me confundem toda a vez…

 

Tempo seco, olhos húmidos….

13 abr

Meus dias cada vez mais sádicos

Minhas noites cada vez mais longas

Pensamentos fluem como não devia

Os olhos que deviam estar fechados

Estão vermelhos, de dor

Os pés que acabaram de pisar no deserto

Já sentem-se calejados,

Meu pequeno rebanho

Tem de ser protegido a unhas e dentes

A chuva não se aproxima,

Mas sem prosa nem rima

Eu sigo em frente

Olhando pra frente

meus sorrisos nem sempre sinceros

as vezes escassos sei que vão voltar

meus versos que eram outros

hoje são vastos

A muito não escrevia

E a muito achei que não precisava

 A muito não precisava….