Arquivo | maio, 2012

Disfarce…

22 maio

Ele caminha pela rua escura,

Levando consigo uma garrafa

De cerveja quase vazia

Havia uma blusa em sua mochila

Mas ele gostava de sentir o vento

Entre os pelos arrepiados

De seus braços.

Seus passos rápidos e secos

Pelas folhas amareladas

Que o outono jogou ao chão.

Ele avista uma lixeira

E dá o último gole na cerveja

Era um bêbado, não um porco.

Avista o seu prédio, e aporta está aberta

Sobe pelas escadarias

Ainda com algum equilíbrio

Chega a porta do seu apartamento

E com um pouco de dificuldade

Gira a chave na fechadura.

Chega em frente a Geladeira

Se apoia no balcão da pia,

Abre a porta

E pega aquela vodka barata

Que comprou no bar da esquina

Enche um copo, e vai para o seu quarto

Uma caneta e uma folha de papel

O esperam em sua mesa

Ele os pega, apoia o copo

Em um livro velho

E logo o marca.

Suas palavras mesmo

Que tremulas são as mais verdadeiras.

As pessoas ao verem pela rua

Desejam o seu viver,

Mas só ele sabe o quanto guarda

Dentro de si.

O sorriso que muitos avistam,

Não passa de um mero disfarce

Que ele só tira quando vai se deitar,

Ou na presença da sua vodka

Sua eterna companheira….

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Passos em vão, laços em vão, versos em vão…

19 maio

Era mais uma canção

que eu cantaria fora do tom

Mas os passos que eu dei

me levaram a escolher o outro lado,

perdi as chaves

tempos atrás

mas é passado

eu que perco quase tudo,

 vivo perdendo a memória

Pensei ser o mocinho dessa história

mas a história se repete

Em cada beco, em cada praça

não que euveja graça.

Piso em falso aguentando meu peso

com os pés descalços

Os cacos se quebram e ainda se infiltram

em minha pele.

Meu chapéu já não me protege,

Meus olhos vermelhos

Não refletem no espelho

Aquilo que eu não admito sentir.

Nada a se discutir

Versos em vão

Passos em vão

Nada ao certo

Nada tão perto

Quero um copo, um lento veneno

Que insisto em provar

Meus dias tão curtos quanto

À vida de um inseto

Minhas noites?

Frias, e inquietas.

O sol nasce e

Talvez um dia eu aprenda,

Minha maldita insensatez

Talvez não esteja aqui quando acordar…

 

Meus Velhos, Novos Versos

3 maio

E o meu eu se confunde

Com uma estranha imagem

No reflexo da vitrine

Nem sempre me reconheço

Entre histórias e tormentos

Mas as mesmas canções

Estão sempre passando

Pela minha cabeça

O meu sorriso meio torto

Me confunde entre o bem e o mal

Sinto frio e pelo que entendo

Meu medo também me causa arrepio

Estou sempre falando mesmo quando não devo

E falo mesmo que tenha de ficar calado

Tento não ficar parado

Mas nunca saio do lugar

Hora de provar novos ares

Os mesmos ares que

Já foram velhos

Nada que seja mistério

Ou que pareça bajulação

Palavras cruzadas,

Uma xícara em cima da mesa de canto

Acordar no sofá com muito a se fazer

É cedo, mesmo sendo tarde,

Nada de alarde

Todo dia é um dia diferente,

Todo dia é um dia diferente…