Arquivo | abril, 2014

Crônica 02…

22 abr

Ela estava alí, parada em sua frente intercalando o olhar entre seus olhos e os lados, demonstrando sua aparente timidez. Ele ficou parado por quase um minuto até que resolveu dizer alguma coisa.

-Oi!!

-Oi.

-Nossa que pontual, não esperava que chegasse tão cedo.

-Cedo? Marcamos as 20h não foi, então são 20h e aqui estou. Disse soltando um pequeno riso, não um riso de deboche, mas que demonstrava a graça que achou na surpresa do rapaz. Aproximou-se dele e deu-lhe um beijo no rosto.

-Tudo bem contigo? – Ele ainda imóvel, sem saber o que falar ficou calado por um instante viajando dentro do seu pensamento. “Será que isso realmente seria real”

-Tu..do bem e com você? É marcamos as 20h mesmo. – Ele sorriu embaraçado, percebendo que estava fazendo papel de besta. Faltava algum tempo para que o filme que haviam combinado assistir começasse, então resolveram sentar em uma lanchonete próxima ao cinema e tomar alguma coisa.

Ele pediu um suco de abacaxi, apesar de estar sedento por uma cerveja, não quis causar uma má impressão logo de cara, sabia que isso provavelmente aconteceria posteriormente. Ela ao contrário do que ele imaginava, pediu uma cerveja, o que fez com que ele se sentisse meio idiota, porém muito mais relaxado, o fato dela beber cerveja desfazia um pouco o tom de “menina certinha” com que ele olhava para ela.

Aos poucos as conversas foram fluindo, ela observou a camiseta que ele estava vestindo e o convidou para se aproximar e ouvir o que ela estava escutando em seu fone, ele chegou perto e sentiu o cheiro de seu perfume que lhe fez sentir novamente aquele arrepio nos pelos do braço.

-E então?

-Então o que?

-Não ouviu qual canção estava tocando?

-Ahh sim, gosto muito dessa. – O fato é que apesar de ser uma canção de sua banda favorita, aquele aroma que vinha do pescoço dela o fez esquecer completamente do que lhe havia feito aproximar dela. Sentiu vontade de lhe tocar os lábios, e quando resolveu que tomaria tal atitude.

-Ihhh!!! Passaram-se quase dez minutos do início do filme, acho que perderemos mais pelo menos cinco minutos até entrarmos. – Eles haviam se entretido com a conversa e nem se deram conta do horário, por fim decidiram ficar ali e conversar mais.

Depois de um tempo, e algumas cervejas depois ela levantou-se e disse que precisava ir, ele levantou-se em seguida, mas não quis insistir pra que ela ficasse. A garota se aproximou dele lhe deu um beijo no canto esquerdo da boca.

-Nos vemos outro dia. Pode ser?? – Afastando-se alguns passos e olhando pra trás em seguida.

-Claro. Disse ele sem tirar os olhos dela…

 

Continua

Crônica 01…

21 abr

Já era noite quando ele saiu de casa meio apressado e suando frio. Vestia uma calça jeans escura, e uma camiseta cinza da sua banda preferida, suas meias eram uma de cada cor afinal, ninguém as veria por debaixo da calça e do tênis, uma imitação de All Star Converse, que não perdia em nada para o original no estilo das estampas.

O vento batia em sua direção, arrepiando os poucos pelos dos seus braços, e mexendo de certa forma com seus cabelos longos e castanhos. Ele suava frio, poucas vezes em sua vida sentira tal sensação, o que o assustava e ao mesmo tempo o deixava empolgado. Pensava muito no que havia acontecido, e quais as chances de ter uma nova oportunidade enquanto contava os próprios passos.

Em pensar que havia enviado aquele SMS apenas como uma tentativa sem esperanças de poder levar aquela garota ao cinema. Nem sequer acreditou quando obteve uma resposta positiva. Ele possuía feições admiráveis que haviam arrancado vários suspiros das garotas da vizinhança onde morava, seus olhos verdes combinados com um rosto magro e a barba serrada, qualidades que eram até mesmo invejáveis os rapazes

Apesar de possuir uma autoestima elevada, pela primeira vez sentia-se inseguro, e não sabia o que falar. Como alguém que nunca havia lhe dirigido mais que um simples oi tinha um poder tão grande sobre o seu comportamento. Claro que aqueles longos cachos da mesma cor dos cabelos dele, e o corpo bem definido comparado ao de uma estátua barroca em tamanha perfeição já haviam derrubado o queixo de muitos homens, combinados a eles, lindos olhos azuis e um jeito de menina meiga e tímida. Sem se dar conta já havia passado alguns passos do lugar combinado, e ainda faltavam alguns minutos para a hora que haviam marcado chegar.

Observou a lua que aos poucos ia se escondendo por entre nuvens, tirou o celular do bolso, mas o mesmo ficou sem bateria no caminho sem que ele percebesse. “E se ela tivesse desmarcado”, “ e se fosse apenas uma brincadeira de mal gosto” pensou ele, mas ao se virar para o outro lado da rua, lá vinha ela. Ela tinha a mesma altura que ele, vestia uma blusinha floral sobreposta de um bolero feito artesanalmente, provavelmente por sua mãe, ou sua avó, uma calça jeans azul mais clara que a dele, vinha olhando para baixo e suas bochechas estavam levemente rosadas… Continua