Do carvalho ao veneno…

4 jul

Meus olhos vermelhos
A noite pequena
Um frio tão intenso
a luz do luar
um uísque barato
num copo quebrado
procuro a minha alma
onde não posso encontrar,
de amores e de conselhos
Eu estou cheio,
Meios termos, meias horas,
Meia vida
E o meu velho drama
É embalado pela mesma
Balada melancólica de sempre,
A verdade é que de Lenons
E venenos o mundo está repleto,
Não sei oque é absurdo
Seria isso correto?
Um mundo onde o mesmo
Amargo da boca
Te resseca, te agonia
E a mesma morte
De toda noite
É a que te faz não ressuscitar
Eu quero a sorte
Mas já não sei diferenciá-la da morte
E mesmo que soubesse
Não as tenho
Me faço poeta
Pra disfarçar
Os fracassos
Disfarço o fracasso
Maquiando-o com o sucesso
Nada que tenha muito nexo
Roubo de mim mesmo
A oportunidade
Que tenho todos os dias
E mesmo assim
Eu não mereço o meu perdão

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Labirinto…

25 jun

Os Estilhaços de outrora
Voltam e me cortam a sola dos pés
Impedindo-me de correr
Impedindo-me de morrer
Sempre que me mato
Me maltrato
Meu rosto ressecado pelo frio
Já é tão vil quanto outros
tantos que eu já julguei
e hoje sou mais fraco
muito mais fraco
do que já me considerei.
Alguns acordes surrados
No meu velho violão
De tinta desbotada,
São minha única fuga
do mundo real
a voz fica rouca
os dedos doem
e cá estou eu novamente
no inferno que eu mesmo criei.
Do qual não aprendi a sair…

Mortem

9 maio

Sou aquele poeta morto
O último que diziam,
Que adormece ao som do blues
E não resiste ao gosto do uísque barato
Sou o tal poeta sem rima
Aquele louco que não sabe o que diz
Que nunca parece estar feliz
E que aos poucos morre todo dia
Numa agonia, numa alega ria.
Pena dos mortos, mais pena dos vivos
Que aos poucos se matam
Se metem onde não são chamados
Onde ninguém está preparado
Pra amanhã
Para manhã sã ou insana
Estranha

Compasso, passo a passo…

4 abr

Me perco ao meu redor
Enquanto ando em círculos
Os devaneios de outrora,
Que outrora nunca entendi
Tampouco agora
Voltam a me confundir
Perdi o rumo, a régua e a linha
Perco sempre as chaves
E às vezes a cabeça
Peço tempo, perco tempo
Os dias como sempre tão escassos
Que de pés descalços,
Não consigo contar meus passos
Como a pena procura o nanquim,
Procuro o palheiro da agulha,
Pela doença sem cura
A alma sem vida,
A rima e a censura
O fogo da vela que se apagou,
Que se apegou, que se espalhou
Que espantou, que se acabou

Gestos, incertos ou indiretos…

13 fev

Sou eu mesmo
O mesmo de sempre,
O mesmo de outrora
Talvez o mesmo de amanhã
Com o sorriso torto
E a barba mal feita
O mesmo que bebe um uísque barato
Pra aliviar a dor
A dor da vida, a dor da morte
A dor da falta de sorte
Sou o canto do galo
E as doze badaladas da meia noite
Meus erros? Obriguei-os a ficar pra trás
Precisava de um álibi
E há muito procuro
Procuro mas não me curo
Desisti da ideia
Perdi a hora, o jogo
E a sede…
Talvez os sentidos
Por alguns momentos

Déspotas esclarecidos…

4 fev

Não sei o que se passa no mundo

E ainda não entendo o que se passa em minha cabeça

Frase me vem a todo o momento

Mas nem sempre sinto a necessidade de expô-las

Meu ego se foi, com tudo aquilo que já pensei em expressar

Minhas virtudes se escondem

Todo o tempo

Não sou o mesmo de ontem,

Nem mesmo, o mesmo de agora pouco

Mas sou o mesmo que se olha no espelho

E nada vê

Não há peso, não há solidão

Escrevo como a muito não escrevia

Com a necessidade de um coração

E a pressa de uma criança

Que só quer brincar

Os olhos pequenos de sono

Me avisam que eu devia estar em paz

eu devia estar  em paz…

Ator…doamentos

23 nov

Paguei o preço

O mesmo de todas as noites

Como de praxe

Sinto-me com a consciência pesada

Devo aprender, mas nunca aprendo

Como uma canção tocada com

Os mesmos acordes erradas o tempo todo

Meus pensamentos calejados,

Já não me dizem a mesma coisa

E eu sinto como se pegasse fogo

Como se queimasse aos poucos

Meus desassossegos continuam sentados na varanda

Como os do poeta

E a verdade é que continuo sem entender por que…